terça-feira, 23 de junho de 2009

Protesto de jornalistas reune 69 pessoas

O Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA) promoveu uma manifestação hoje (22), na praça Felipe Patroni, em Belém, contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a exigência do diploma de jornalismo para os profissionais da área. Segundo a organização do protesto, 69 pessoas, entre jornalistas e estudantes de diversas faculdades participaram da ação, que foi marcada por faixas, palavras de ordem e narizes de palhaço.

Segundo os estudante de jornalismo, Wildes Lima, o grupo participará de diversos atos para tentar criar um modo de reverter a decisão do STF “Já estamos com uma assessoria jurídica para sabermos como podemos entrar com um processo de ressarcimento de danos. Investi 18 mil reais nos últimos dois anos e não sei mais se vale à pena continuar a faculdade. Já tem gente querendo desistir do próximo semestre” diz o estudante.

Vários estudantes de faculdades particulares, à exemplo de Wildes, já começam a pensar em largar o curso. Pensando nisso, a Unama BR promoverá amanhã (23), uma reunião com os alunos do curso de jornalismo com o objetivo de esclarecer as dúvidas sobre o andamento do curso.

Na próxima quarta-feira (24), o Sinjor-Pa se reunirá com a Assembléia Legislativa na tentativa de conseguir o apoio dos deputados estaduais “Nós queremos o apoio dos deputados para chegar mais próximo de Brasília. Vamos lutar pela criação de uma lei, que possa mudar essa situação” diz Wildes.

(Diego Andrade/Diário Online)

COMETÁRIO DESTE BLOGGER

Aqui mais uma vez vemos a distância daqueles que nos representam, principalmente de nós que somos do "interior", por aqui até o salário era para ser inferior ao dá capital. Atitudes como esta é que deixam uma lacuna entre os representantes de sindicatos de comunicação de Belém ao resto do estado.

FUNCIONÁRIO DA VALE COM GRIPE SUÍNA

A Vale informou ontem que um consultor da empresa foi diagnosticado com a gripe suína no dia 19, quando voltou de uma viagem à Argentina. O homem presta serviço no 30º andar do Edifício Santos Dumont, no Centro do Rio, e está em isolamento domiciliar. De acordo com nota da empresa, o consultor "passa bem e apresenta melhora importante dos sintomas".

A Vale informou ainda que recomendou a todas as pessoas que trabalham no mesmo andar ou que tiveram contato próximo que procurem o posto de saúde municipal mais próximo de sua residência. O prestador de serviços que adoeceu não circulou por outras unidades da empresa e só manteve contato com as pessoas que trabalham no 30º andar.

fonte: Diário do Pará.

assassinato no núcleo de Carajás

O Núcleo urbano de Carjás foi palco nesta manhã de segunda-feira de desfecho brutal entre dois irmãos paternos, Raimundo de 31 anos desferiu diversas facadas em Izaias de 19 anos. Por motivos fúteis os irmãos vinham se desentendendo há cerca de 4 meses, ontem quando Raimundo falou ao irmão que iria chamar a polícia por se sentir ameaçado, Izaias o atacou e este teria se defendido com um instrumento de trabalho, uma faca. Relatou Raimundo para este blogger ao vivo através da Arara Azul FM. Este foi o primeiro caso registrado de assassinato no núcleo urbana de Carajás, que no ano passado, além dos acidentes de trabalho, chamou a atenção para um suposto caso de pedofilia envolvendo um funcionário da vale e um menor de 10 anos.
A família do menor se sentiu obrigada a ir embora da cidade.

PRODUTORES RURAIS REALIZAM CAVALGADA ECOLÓGICA

Está se aproximando a segundo versão da Cavalgada Ecológica que caiu como uma luva para os produtores rurais da região para comungar práticas que vão ao encontro dos anseios daqueles que disseminam a agonia no estado do Pará.
A Cavalgada acontece a partir do dia 30 de junho até 4 de julho, em meio às discussões sobre a exportação da carne do Pará. Os pecuaristas participarão de plantio de mudas e acompanharão palestras sobre meio ambiente e produção rural.
Adesivos estão sendo distribuídos com a frase:
Já se alimentou hoje? Agradeça ao produtor rural.

Integrantes da bancada do agronegócio preveem que a perseguição aos produtores de gado na Amazônia, mediante exigências ambientais, pode gerar uma crise de abastecimento de carne e pressionar os preços do produto. "Para nós do Sul é ótimo. Se a arroba de carne está R$ 80, vai para R$ 150. A inflação vai explodir. Vamos deixar. Acho que estamos do lado errado", disse o deputado Cezar Silvestri (PPS-PR). As declarações foram feitas em audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural para discutir a suspensão do Decreto 6.514/08, que institui multa para o proprietário de terra que deixar de registrar em cartório a reserva legal.

O Grupo Pão de Açúcar, seguindo recomendação do Ministério Público Federal, anunciou a suspensão da compra de carne de 11 frigoríficos do Pará que supostamente comercializam carnes provenientes de áreas desmatadas. Outras redes já fizeram o mesmo.

Abelardo Lupion (DEM-PR) chamou os procuradores que promovem o boicote à carne produzida no Pará de "moleques irresponsáveis". "Estão inviabilizando um estado inteiro. Quem foi para o Pará para instalar indústria e promover o desenvolvimento daquele estado hoje está sendo punido", disse.

Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), "vai faltar carne lá em São Paulo e no Rio de Janeiro". Ele disse que o Brasil pode repetir a Argentina, em que um impasse político em torno da tributação da exportação de produtos agrícolas provocou crise de desabastecimento.

O frigorífico Marfrig informou, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que não possui unidades no Pará e não foi notificado pelo Ministério Público Federal (MPF) ou cadeias de supermercados acerca do embargo das três maiores redes do País a carnes produzidas naquele Estado.

Operação Abate

Os frigoríficos JBS-Friboi e Margen estão entre as empresas que podem ter sido beneficiadas em um suposto esquema desarticulado em Rondônia pela Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público. Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de prisão, além de 43 de busca e apreensão. A operação Abate - como foi chamada a ação - é resultado de um ano de investigações em que se apurou uma série de crimes cometidos para favorecer frigoríficos, laticínios e curtumes fiscalizados pela Superintendência Federal da Agricultura em Rondônia.




Fonte: DCI

Vereadores de Parauapebas em Brasília

Categoria: Câmara, Parauapebas, Pará, Política, Vereadores;
No início desta semana, entre os dias 16 e 18 de junho, uma comitiva de vereadores de Parauapebas esteve em Brasília no intuito de olvidarem esforços para obterem benefícios, projetos e recursos federais para nosso município.

Parauapebas Século XXI
A comitiva, encabeçada pelo presidente da CMP, o vereador Euzébio Rodrigues (PT), foi composta pelos vereadores Miquinha da Palmares (PT), Raimundo Vasconcelos (PT), José Alves (PT) e Wolner Wagner (PSDC), foi a capita federal para acompanhar a elaboração das propostas orçamentárias da bancada federal paraense na Câmara dos Deputados, que é coordenada pelo deputado Paulo Rocha (PT).

Além disso, também estava na programação previamente agendada,uma audiência com a doutora Maria Amélia Enriques, secretária adjunta do Setorial de Mineração do Ministério das Minas e Energia (MME). A dita audiência, realizada na tarde da terça feira (16/06), contou com a participação dos vereadores Euzébio Rodrigues (PT) e Wolner Wagner (PSDC), estavam também presentes o coordenador de projetos do MME, Frederico Barbosa, e o advogado Lindolfo de Carvalho Mendes, que tem sido o principal contato da CMP em Brasília, além da já citada secretária adjunta.

Como resultado deste encontro, ficou marcado uma visita da doutora Maria Amélia, provavelmente em fins de agosto próximo (21 e 22 – mais precisamente), acompanhada do mencionada coordenador de projetos do MME, à cidade de Parauapebas e o apoio logístico do MME ao Seminário Parlamentar sobre Mineração e Desenvolvimento Regional que será promovido pela CMP.

O Setorial de Mineração do MME também assumiu compromisso com os vereadores parauapebenses de participar e coordenar a elaboração do “Plano Municipal de Desenvolvimento Econômico Parauapebas Século XXI” (nome ainda provisório). Este Plano Parauapebas Século XXI terá por objetivo estabelecer metas de desenvolvimento de atividades econômicas complementares à mineração e tentar a implementação de um pólo tecnológico em nosso município, a ser plenamente consolidado até o ano de 2020.

Ao final da audiência no MME, ficou estabelecida uma parceria entre o Setorial de Mineração do MME e a CMP para o planejamento e a realização do citado seminário, que deverá também contar com a participação de várias instâncias da administração pública nos três níveis (municipal, estadual e federal).
Agenda com a bancada federal paraense

Na quarta feira (17), a comitiva da CMP passou todo o dia nas dependências do Congresso Nacional, onde participou, em parte ou no todo, de várias audiências com os deputados federais do Pará, a começar por um encontro com o deputado Beto Faro (PT) e a bancada petista de vereadores.

Neste encontro, além de avaliação política da conjuntura do sudeste do Pará como um todo, e da situação da região polarizada por Parauapebas em particular, o deputado petista negociou com os vereadores a inclusão de nossa cidade em alguns programas de fomento agrícola do Governo Federal que serão criados em 2010, destacando-se, entre eles, uma política de financiamento para a mecanização da agricultura familiar. Os vereadores Miquinha da Palmares (PT) e José Alves ficaram encarregados de preparar uma lista contendo as principais reivindicações dos pequenos produtores de nossa região que será enviada para o deputado Beto Faro, que assumiu o compromisso de incluí-las no projeto orçamentário de 2010.

Depois desta audiência, os vereadores parauapebenses foram recebidos pelo deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB). Uma vez mais nossos edis apontaram uma série de reivindicações de nossa região e obtiveram do nobre deputado o compromisso de levá-las adiante. Dentre as que ficaram plenamente acordadas, merece destaque a inclusão no orçamento federal de verba para a melhoria do estádio e para a aquisição de ambulâncias para as vilas Palmares I e II. O deputado peemedebista também confirmou sua visita à nossa cidade neste sábado para assistir a partida entre Águia de Marabá e Paysandu de Belém no estádio Rosenão.

Finalizando a agenda da manhã, os vereadores foram recebidos pela deputada federal Bel Mesquita (PT) para uma longa conversa sobre política e sobre a elaboração de propostas orçamentárias para o direcionamento de projetos e benefícios federais para nossa cidade. A deputada explicou aos vereadores como se procedia para a apresentação destas propostas e apresentou algumas das que já estão prontas, e que deverão ser implantadas mais rapidamente em nossa cidade, como é o caso da Praça da Juventude, já aprovada e em andamento.

A deputada peemedebista também convidou nossa comitiva para acompanhá-la na reunião da bancada federal paraense, que se realizou no final da tarde, e também contou com a participação, além e todos os parlamentares, com vários prefeitos paraenses, que também estavam em Brasília, e cujo mote principal era a crise que se estabeleceu no setor agropecuário do estado, com reflexos em toda a economia, depois que o Ministério Público Federal determinou multas para quem comprar carne bovina de “áreas devastadas”.

Proposta orçamentária da bancada prevê criação da UFSPA
Na parte da tarde, enquanto esperavam a reunião com a bancada federal paraense, os vereadores se dividiram em dois grupos para olvidar esforços no intuito de garantir que a proposta da criação da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UFSPA) fosse incluída no projeto orçamentário de 2010 e também para acompanhar a votação da Emenda Constitucional 47 – chamada de “PEC dos Vereadores”, no plenário do Senado Federal.

Depois, finalizando toda a programação agendada, os vereadores foram acompanhar a reunião da bancada federal paraense para, sob orientação do vereador Euzébio Rodrigues (PT), pressionar nossos representantes federais a assegurar a inclusão da proposta para a criação da UFSPA, cujo compromisso já havia sido assumido pela deputada Bel Mesquita (PMDB) e pelo deputado Paulo Rocha (PT), coordenador da bancada.

E, conforme esperado, os parlamentares supra citados se encarregaram de convencer o restante da bancada da importância para nossa região da criação de tal estabelecimento de ensino superior: o que não foi difícil, visto que logo foi obtida a adesão dos deputados Beto Faro (PT), José Geraldo (PT), Zequinha Marinho (PMDB) e Asdrúbal Bentes (PMDB). A partir daí foi só esperar a confirmação da inclusão da proposta como sendo de toda a bancada.

A deputada Bel Mesquita (PMDB) e o deputado Paulo Rocha (PT), então, apresentaram a reivindicação feita pelo vereador Euzébio Rodrigues (PT) e toda a bancada concordou em incluir nossa reivindicação na proposta orçamentária da bancada, ainda que em detrimento de outros projetos, pois, conforme destacou Paulo Rocha, “a criação de uma universidade é por demais importante para região e sua urgência é evidente”.

No acordo feito pela bancada, a deputada federal Bel Mesquita, conforme compromisso assumido com nossos vereadores durante sua audiência com estes, se encarregará de apresentar o projeto de instalação do campus da futura UFSPA em Parauapebas, o que, segundo a própria, “será feito imediatamente partindo do que já vem sendo levado a cabo pela Comissão de Defesa da UFSPA”, que já vem envidando esforços para a elaboração do projeto.

Texto: Leônidas Filho – ASCOM Câmara de Vereadores de Parauapebas

FONTE:WWW.ZEDUDU.COM.BR

Deu a louca no Faustão

O barrigudo, de jeito estúpido de se vestir e que agora está piorando também de humor, Fauto Silva apresentador de 5 milhões de reais por mês, está de mal a pior. Imaginem, ou melhor milhões de brasileiros assistiram ao vivo e em cores no último Domingão do Faustão, em um link aberto com Patrícia Poeta,e sentiram o gosto de um pouco de seu veneno. A apresentadora do também dominical Fantástico apresentava as atrações do programa, Patrícia Poeta, foi surpreendida ao perguntar para o Fautão "Sobre o motivo das modelos estarem em trajes mínimos descendo a montanha russa", ele por sua vez começou a resmungar sem a menor cerimônia sobre a atração, enfatizando apenas que a cena era para buscar audiência, e que ele mesmo já o teria feito antes e finalizou "Pra cima de moà, Pô!!??, Quer enganar quem?".

Fausto Corrêa da Silva, (Araras, 2 de maio de 1950) é um radialista, jornalista e apresentador de televisão.

Faustão recentemente renovou contrato com a Rede Globo até 2.017 ganhando a bagatela de 5 milhões de reais ao mês, talvez a falta de humor não passe de prepotência e falta de respeito com os colegas de trrabalho ou com os telespectadores ou ainda a insatisfação com a produção do Fantástico, recentemente bastante criticada por abordar "atrações e formatos" muito parecidos com o Vídeo Show e também com o próprio Domingão do Fautão. O que explicaria, mas não justificaria tanta estupidez.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Curió abre arquivo e diz que Exército executou 41

O relato do oficial confirma e dá detalhes da perseguição (AE)Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao Estado o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Até hoje eram conhecidos 25 casos de guerrilheiros mortos.


Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas. A reportagem de O Estado de S. Paulo revela ainda a lista inédita dos guerrilheiros mortos no Araguaia, disponível apenas para assinantes.

Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira.

Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio punho de Curió, feitos durante e depois da guerrilha, contraria a versão militar de que os mortos estavam de armas na mão na hora em que tombaram. Muitos se entregaram nas casas de moradores da região ou foram rendidos em situações em que não ocorreram disparos.

Os papéis esclarecem passo a passo a terceira e decisiva campanha militar contra os comunistas do PC do B - a Operação Marajoara, vencida pelas Forças Armadas, de outubro de 1973 a janeiro de 1975. O arquivo deixa claro que as bases de Bacaba, Marabá e Xambioá, no sul do Pará e norte do Estado do Tocantins, foram o centro da repressão militar.



DESCRIÇÕES

O guerrilheiro paulista Antônio Guilherme Ribas, o Zé Ferreira, teve um final trágico, descrito assim no arquivo de Curió: “Morto em 12/1973. Sua cabeça foi levada para Xambioá”. O piauiense Antonio de Pádua Costa morreu diante de um pelotão de fuzilamento em 5 de março de 1974, às margens da antiga PA-70. O gaúcho Silon da Cunha Brum, o Cumprido, entrou nessa lista. “Capturado” em janeiro de 1974, morreu em seguida. Daniel Ribeiro Calado, o Doca, é outro da lista: “Em jul/74 furtou uma canoa próximo ao Caianos e atravessou o Rio Araguaia, sendo capturado no Estado de Goiás”.

Só adolescentes que integravam a guerrilha foram poupados, como Jonas, codinome de Josias, de 17 anos, que ficou detido na base da Bacaba, no quilômetro 68 da Transamazônica. Documento datilografado do Comando Militar da Amazônia, de 3 de outubro de 1975, assinado pelo capitão Sérgio Renk, destaca que Jonas ficou três meses na mata com a guerrilha, “sendo posteriormente preso pelo mateiro Constâncio e ‘poupado’ pela Força Federal devido à pouca idade”.

Curió permitiu o acesso do Estado ao arquivo sem exigir uma avaliação prévia da síntese, das conclusões e análises dos documentos. Ele disse que essa foi uma promessa que fez para si próprio. Passadas mais de três décadas, a história da terceira campanha ainda assusta as Forças Armadas: foi o momento em que os militares retomaram as estratégias de uma guerra de guerrilha, abandonadas havia mais de cem anos.

“Até o meio da terceira campanha houve combates. Mas, a partir do meio da terceira campanha para frente, houve uma perseguição atrás de rastros. Seguíamos esse rastro duas, três semanas”, relata. “A terceira campanha é que teve o efeito que o regime desejava.”

Um dos algozes do movimento armado na Amazônia, ele mantém um costume da época: não se refere aos guerrilheiros como terroristas, como outros militares. “Em hipótese alguma procuro denegrir a imagem dos integrantes da coluna guerrilheira, daquela juventude”, diz. “O inimigo, por ser inimigo, tem de ser respeitado.”

Ele ressalta que, como um jovem capitão na selva, tinha ideal: “Queria ser militar porque queria defender a pátria, achava bonito. Alguns guerrilheiros tinham os mesmos ideais que nós. Mas nossos caminhos eram diferentes. Eu achava que o meu caminho era o correto. Eles achavam que o deles era o correto. Não eram bandidos, eram jovens idealistas”.

No livro "A Ditadura Escancarada", o jornalista Elio Gaspari diz que “a reconstrução do que sucedeu na floresta a partir do Natal de 1973 é um exercício de exposição de versões prejudicadas pelo tempo, pelas lendas e até mesmo pela conveniência das narrativas”. E emenda: “Delas, a mais embusteira é a dos comandantes que se recusam a admitir a existência da guerrilha e a política de extermínio que contra ela foi praticada”.

MOTIM

Essa política de extermínio fica um pouco mais clara com a abertura do arquivo de Curió. Pela primeira vez, a versão militar da terceira e decisiva campanha é apresentada sem retoques por um participante direto das ações no Araguaia.

Curió esteve envolvido no motim contra o presidente Geisel (1977), no comando do garimpo de Serra Pelada (1980-1983), na repressão ao incipiente Movimento dos Sem-Terra no Rio Grande do Sul (1981) e à frente de uma denúncia decisiva no processo de impeachment de Fernando Collor (1992).

O arquivo dá indicações sobre a política de extermínio comandada durante os governos de Emílio Garrastazu Medici e Ernesto Geisel por um triunvirato de peso. Na ponta das ordens estiveram os generais Orlando Geisel (ministro do Exército de Medici), Milton Tavares (chefe do Centro de Inteligência do Exército) e Antonio Bandeira (chefe das operações no Araguaia). Curió lembra que a ordem dos escalões superiores era tirar de combate todos os guerrilheiros. “A ordem de cima era que só sairíamos quando pegássemos o último.”

“Se tivesse de combater novamente a guerrilha, eu combateria, porque estava erguendo um fuzil no cumprimento do dever, cumprindo uma missão das Forças Armadas, para assegurar a soberania e a integridade da pátria.”

O QUE FOI A GUERRILHA

Em 1966, integrantes do PC do B começaram a se instalar em três áreas do Bico do Papagaio, região que abrange o sul do Pará e o norte do atual Estado do Tocantins. A Guerrilha do Araguaia era composta por uma comissão militar e pelos destacamentos A, B e C.

Da força guerrilheira, 98 pessoas pegaram em armas ou atuaram em trabalhos de logística. Deste total, 78 foram recrutadas pelo partido nas grandes metrópoles brasileiras e 20 na própria região do conflito.

Entre 1972 e 1974, as Forças Armadas promoveram três campanhas na tentativa de eliminar a guerrilha - só venceu na última. A repressão contou com cerca de 5 mil agentes, incluindo homens das polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e Civil.

O conflito deixou um saldo de 84 mortos, sendo 69 guerrilheiros ou apoios da guerrilha, 11 militares e 4 camponeses sem vínculos com o partido ou o Exército. Vinte e nove guerrilheiros sobreviveram às três campanhas. (Estadão.com)

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